a experiência dinamarquesa com a integração de energias renováveis variáveis


Lições aprendidas e opções para melhoria

Anders Kofoed-Wiuff, János Hethey, Mikael Togeby, Simon Sawatzki e Caroline Persson

09/2015            [ESTUDO AGORA]


 

Em 2014, a energia eólica forneceu 39% da demanda de eletricidade dinamarquesa. O suprimento de energia do país está se afastando de um sistema baseado em combustíveis fósseis, especialmente carvão, para um sistema totalmente baseado em energia renovável. Na verdade, a Dinamarca está se esforçando para alcançar uma independência completa dos combustíveis fósseis até 2050. Nos setores de eletricidade e aquecimento, a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é esperada ainda mais cedo. Além disso, o país objetiva atender a 50% da demanda de eletricidade com energia eólica até 2020. Assim, aumentar a integração da energia eólica é um dos principais desafios da transição dinamarquesa para a energia renovável.

Que ações a Dinamarca adotou para permitir a implantação de parcelas cada vez maiores de energia eólica? Que medidas de flexibilidade o país implementou para manter seu sistema de energia confiável e estável? E o que outros países europeus podem aprender com a experiência dinamarquesa com base no entendimento de que, mais cedo ou mais tarde, enfrentarão os mesmos desafios?

O estudo a seguir, elaborado pela empresa de pesquisa e consultoria dinamarquesa Ea Energy Analyses analisa a experiência de integração da energia eólica do país. Espera-se que as lições aprendidas nas últimas décadas na Dinamarca possam ajudar outros países a transformarem seus sistemas de energia.


principais conclusões


1.A Dinamarca é líder mundial na implantação de energia eólica, com 39% do consumo de eletricidade fornecido pelo vento. O desafio de integrar uma grande parcela de energia eólica levou empresas dinamarquesas e participantes do mercado a desenvolverem desde o início várias opções de flexibilidade, incluindo o uso de interconexões de transmissão com outros países, centrais térmicas e formulação de um aquecimento urbano mais adaptáveis, incentivo a uma energia eólica mais compatível com o sistema, implementação de maleabilidade do lado da demanda, bem como introdução de opções alternativas para providenciar serviços auxiliares.


2.A troca de energia baseada no mercado com países vizinhos é a ferramenta mais importante para lidar com altas parcelas de energia eólica na Dinamarca. Com 6,4 GW de capacidade de transferência líquida para a Noruega, Suécia e Alemanha (demanda de pico dinamarquesa: 6 GW), a Dinamarca é capaz de vender eletricidade durante períodos de alta produção eólica e importar eletricidade em tempos de baixa produção. A utilização da capacidade de transferência líquida de 2,4 GW para a Alemanha é, por vezes, limitada para exportação, dependendo das condições de vento no norte da Alemanha.


3.Nos últimos anos, muita atenção tem sido dedicada à flexibilização de usinas convencionais. As usinas a carvão dinamarquesas foram otimizadas para permitir gradientes de rampa muito acentuados, tempos de partida mais curtos e níveis de geração mínimos baixos, porém estáveis. A flexibilidade no fornecimento de serviços auxiliares reduziu ainda mais a capacidade de execução obrigatória.


4.A Dinamarca tem um grande número de usinas de cogeração (CHP) em seu sistema de energia. A regulamentação foi reformulada para reduzir a geração de eletricidade associada ao calor em situações com alta energia eólica. No futuro, prevê-se que os sistemas de aquecimento urbano se tornem consumidores de eletricidade e não produtores em épocas de alta produção de energia eólica. Apesar das mudanças já adotadas no sistema tributário de energia, medidas regulatórias adicionais ainda são necessárias para aproveitar todo o potencial do uso de energia para aquecimento.